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SAMBÓDROMO DO MILAN

15-07-2008 18:07:00

Ronaldinho é só o último de uma estirpe de campeões brasileiros que fizeram o Milan grande com a sua alegria e a sua técnica irresistível. O Milan, mais do que nunca, dança o "Samba"

MILÃO - Milan e Brasil, um casamento com raízes distantes mas que se consolida sob a presidência de um Berlusconi apaixonado pelo jogo técnico, veloz e espetacular. Dos holandeses aos cariocas, ninguém melhor do que os brasileiros para encarnar o futebol arte.

Os primeiros brasileiros chegaram ao Milan em 1935, tinham nomes de origem italiana, como Vicente Arnoni e Eliseo Gabardo. Alguns anos depois, em 1958, o clube rossonero recebeu um autêntico símbolo do genialidade brasileira, José João Altafini, vulgo "Mazola", vindo do Palmeiras para se tornar um dos maiores artilheiros da história do campeonato italiano. Desembarcou em Milão com uma "cabeleira" loura e o rosto sempre alegre, recém-vencedor da copa "Jules Rimet". Técnico, veloz e excepcional oportunista, muito cedo se tornou o ídolo de San Siro. Na primeira temporada marcou nada menos que 32 gols, entre Campeonato e Copa Itália. Nas temporadas seguintes, até 1964, assinalou mais 129 gols.

1963 é o ano de Amarildo, campeão do mundo no Chile em 62. A sua primeira temporada é caracterizada por 16 gols, e ele deixa o Milan em 1967 com mais de 32 tentos.

No final dos anos 60, um outro grande jogador brasileiro se destaca com a camisa do Milan: Angelo Benedicto Sormani. Um craque que ainda faria um grande papel nos dias atuais, transformado por Nereo Rocco em uma máquina de gols. Marcou gol na final da copa dos campeões vencida contra o Ajax em 1969. Conquistou ainda o Scudetto, Copa das Copas e Copa Intercontinental, um autêntico craque.

Após o fechamento das fronteiras, o Milan volta a respirar os ares do Brasil em 1997. Chegam o zagueiro André Cruz e, principalmente, Leonardo Nascimento de Araújo. Lateral de classe, 'Leo' custa a se impor na primeira temporada, mas entre 1997 e 1998 explode e dá ao Milan o scudetto com 12 gols decisivos. Terceira volante ou fixo, Leonardo oferece à platéia de San Siro um grande futebol. Marca uma dobradinha no jogo de 13 de março de 99 e se consagra como exímio cobrador de faltas. Os torcedores e a sociedade se encantam com ele, mas o seu talento é interrompido com o passar do tempo por problemas musculares. Ele se despede do Milan ao término da temporada 2000/01 para retornar ao Brasil, mas a ligação é muito forte para terminar, e Leo de fato volta na temporada 2002/03 para vencer a Champions League e a Copa Itália e depois dedicar-se à carreira de dirigente.

Nestes anos passam pelo elenco milanista também os dois zagueiros Júlio Cesar e Roque Júnior. O verdadeiro precursor do novo "Brasil Rossonero" chama-se Serginho, considerado a única verdadeira e grande alternativa a Roberto Carlos. Ele chega em 1999 para levar alegria, velocidade e gols ao rival Inter.

Mas, a grande explosão para a mídia chama-se Rivaldo. Vindo do Barcelona no verão de 2002, protagonista do sucesso verde-amarelo na Copa do Mundo, o brasileiro inicia muito bem ao lado de Rui Costa. Marca gols importantíssimos, mas com o tempo vai perdendo o ritmo em devido a problemas de adaptação com família. Torna-se um ídolo da torcida rossonera e em 2003 acompanha a chegada de Kaká, além de um outro brasileiro, Cafu. O resto é história recente, feita de vitórias e troféus conquistados sobre o com os brasileiros Dida, Serginho, Cafù e Kakà. Vieram se unir mais tarde Ricardo Oliveira, Emerson e Ronaldo. O abre-alas da nova geração chama-se Pato, o reino é sempre o de Kaká, o futuro poderia ser também o de Ronaldinho. É divertimento no estado puro, alegria rossonera.